Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Assisti Avatar em um cinema convencional em 2d, portanto, é difícil dizer se ele é realmente a revolução que estava sendo aguardada, por outro lado, isso é bom, porque é possível analisá-lo como narrativa e não pelo seu aspecto tecnológico, e além do mais, a maioria da população brasileira verá o filme em 2d. Mas é possível adiantar que este filme tem as mais fantásticas cenas de ação desde a batalha campal de Pelenor em O Retorno do Rei, falando assim, até parece que 2003 é uma passado longínquo, mas se analisarmos a velocidade com que os efeitos especiais evoluem, podemos dizer que o filme de Peter Jackson se manteve insuperável por muito tempo.
Não preciso entrar em detalhes sobre a história, porque a esta altura todos já sabem, e o roteiro de James Cameron é universal, um jovem recebe a missão de se infiltrar entre os inimigos, mas acaba descobrindo o amor e encontrando a redenção entre os adversários, todos sabem que o diretor nunca foi inovador nesse quesito, no entanto, ele é a pessoa mais hábil no mercado para usar clichês de maneira inteligente e sem achar que o espectador é idiota,
Titanic por exemplo, também tem uma história de amor convencional, mas nunca deixa de ser verdadeira e de uma energia contagiante, sendo merecido todo o sucesso que obteve (e que dificilmente será superado).
E mesmo depois de 12 anos longe das câmeras, ele não perdeu a mão, a narrativa é desenvolvida na velocidade certa, com os personagens tendo o tempo necessário em tela para que consigamos lembrar de cada um, e o universo criado é fabuloso, a selva de Pandora é maravilhosa e realista, só não gostei da concepção de arte dos seres que habitam o planeta, com exceção dos Na'Vis, logicamente (mas isso também é reflexo da qualidade, os seres são tão diferentes do que estamos acostumados que causam estranhamento). E falando nisso, a megalomania de Cameron em sempre querer utilizar tecnologias nunca antes vistas, em cada novo filme também está a favor de Avatar, os Na'Vi, são belíssimos e a textura da pele é absolutamente real, sem contar que a expressão facial dos atores está totalmente ali, fazendo os trabalhos em "performance-capture" do Robert Zemencks em O
Expresso Polar e
Bewoulf completamente obsoletos, destaque para a captura das expressões de Zoe Saldana que tem uma atuação digna de prêmios, até esquecemos que é computação gráfica e não ela mesmo que está ali, e na ação, ele ressalta ainda mais como Michael Bay é um imbecil sem talento algum para direção de filmes.

Além de Zoe, Sam Worthington também merece destaque, depois de ter roubado a cena de Cristian Bale em
O Exterminador do Futuro 4, ele definitivamente despontou para o estrelato, a cena em que ele caminha pela primeira vez, na pele de seu avatar é emocionante, mesmo acontecendo logo no inicio do filme, antes de dar tempo do espectador criar qualquer vínculo com a história, e todo o resto do elenco é competente, Sigourney Weaver está perfeita como uma dedicada bióloga (relembrando na Montanha dos Gorilas), Giovanni Ribisi está adorável no cinismo de seu personagem e Michelle Rodriguez, pela milésima vez, fazendo o papel de mulher durona também está confortavel como sempre, já Stephen Lang como o Coronel Milles Quaritch, começa muito bem, mas se torna um vilão caricato demais a medida que trama avança, culpa do roteiro, por exemplo, somos obrigados a ouvir ele dizer, antes de arrasar com uma comunidade, frases batidas como: "Sejamos rápidos, não quero me atrasar para o jantar".
A mensagem ambiental é ingênua, mas aceitável (no entanto, o fato de Cameron ter tido a idéia das conexões entre os seres vivos do Planeta, faz com que todos sintam com mais intensidade qualquer cena de desmatamento), melhor é a mensagem antibelicista, principalmente na maneira como ele encara o exército americano,
Avatar é sem dúvida o filme do ano, e irá abocanhar todos as premiações técnicas da temporada, provavelmente não terá fôlego para prêmios artísticos, mas seria uma grata surpresa se Zoe Saldana conseguisse uma indicação de melhor atriz, espero agora, a oportunidade de ver o filme como Cameron o concebeu, em 3d.